Os Bastidores Dos 40 Anos De Playboy No Brasil 3: Parte II

Aline Fenándes e o pai

"Ao saber que o jornalista trabalhava para Playboy no Brasil, doña Elena, financiadora da fuga de Alina, perguntou, com uma pontinha de malícia:

 ― Mas o senhor não veio convidá-la para posar para a revista, não é?

 ― Por que não? ― rebateu Werneck, entrando pela primeira vez no assunto e agradecendo aos céus que a iniciativa partisse de doña Elena. Para sua surpresa, Alina repetiu a pergunta:

― Por que não? 

      A filha Mumím, porém , a essa altura com 17 anos de idade, escandalizou-se e expressou contrariedade:

 ― ¡Mamá, no digas eso! ― 

        Mumín se convertera ao catolicismo, e já devidamente adaptada ao Bible Belt, o 'Cinturão' da Bíblia' dos Estados Unidos, onde se situa a Geórgia, era frequentadora de um grupo de estudos religiosos. A agnóstica Alina, entretanto, à saída do apartamento de doña Elena, cochichou a Werneck que a procurasse no dia seguinte, à tarde, enquanto Mumín estivesse na escola, para falarem mais à vontade dessa hipótese. Werneck notou a animação da entrevistada logo ao chegar à sua casa de fachada de tijolos:ela juntara, para mostrar-lhe uma série de fotos  caseiras e algumas do seu período de modelo. Ponderou, porém que, aos 38 anos e tendo abandonado a ginástica e o jogging desde a chegada aos Estados Unidos, havia ano e pouco, se achava acima do peso.

Tengo que ponerme en forma ― disse. " (Ricardo Setti)

Aline Fenándes e a mãe

"O Bom clima da véspera não se repetiria na suíte pronta para o ensaio. 'Quando ela olhou para as roupas', relata Ariane, 'não conseguia esconder uma expressão de insatisfação'.  Alina não se constrangeu em despir-se diante do fotógrafo. Estava, entretanto, travada e alheia. Ainda por cima, carrancuda: não sorria de jeito nenhum. 'Ela estava péssima, e dizia às claras que não se interessava pelo ensaio, e sim pelo dinheiro', recorda-se Ana Maria. 'Mostrou-se des do inicío  extremamente blassé '. Completa Ariane. 

        Experiente, Duran deixou o barco correr. 'Nunca me preocupo com o primeiro dia porque a feitura de um ensaio é um processo', ensina. O panorama passou realmente a pesar no segundo dia. 'Normalmente levo as coisas para o terreno de to play , em inglês, ou seja, brincar, que consiste em a pessoa deixar de ser ela mesma para se transformar em alguma personagem', diz Duran. 'Com Alina, porém, essa situação nunca acontecia.' 

         Durante o primeiro encontro no bar, rememora Duran, 'parecia tudo excelente, não percebi um sinal do que iria encontrar. Talvez eu fosse mais inocente do que sou hoje' . O problema dela, acrescenta, 'não foi a nudez, foi que ela não estava lá'. 

               Ariani vai na mesma linha: 'Eu tinha certeza de que ia dar certo. Ela não transparecia esse ar pesado que surgiu depois'. 

               Durante as sessões de fotos , Ariani procurava animá-la:

 ― Esta ficando ótimo! Olha que foto linda! 

                E Alina, próxima ao descaso:

... 

               Ana Maria rememora que Duran provocava, brincava, sugeria:

― ¡Rite un poco! ('Ria um pouco!') 

              E Aline:

¿Reír de qué? " 

(Ricardo Setti é um jornalista brasileiro e manteve um blog no site da revista Veja de 2010 até Abril de 2015)
              
        

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