Os Bastidores Dos 40 Anos De Playboy No Brasil 3: Parte I


     "Alina, a 'filha rebelde' de Fidel, fruto de um affair de uma mulher casada e rica, Natalia 'Naty Revuelta', com o líder barbudo nos primórdios da luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista em Cuba, reunia sem dúvidas condiões para ser uma surpresa espetacular na capa de Playboy. Ela conseguira capturar manchetes do mundo todo ao fugir de forma rocambolesca da ilha em dezembro de 1993, rumo a Madri, com passaporte espanhol falso e um disfarce  que incluía a imitação do sotaque castelhano, roupas espalhafatosas e uma peruca. No ano seguinte, de novo ganharia destaque na mídia ao protestar publicamente contra a presença de Fidel na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Posteriormente se conheceriam mais dealhes sobre a difícil e kafkiana história de Alina, para quem até os dez anos de idade parecia tão certo como o nascer do sol o fato de seu pai ser o dr. Orlando Fernández Ferrer, o médico carinhoso com o qual a mãe se casara e tivera, antes dela, outra filha, Natalie. Um dia, de uma só vez, a menina ficou sabendo que o dr. Orlando, proibido pela revolução triunfante de manter clínica particular, fora embora para Miami com sua irmã Natalie, e que seu pai de verdade era o barbudo grandão que mandava em Cuba, visitava a mãe com frequência e agia como uma espécie de Tio.

         Ao longo da relação conturbada que viveriam anteriormente à ruptura de Alina com Fidel, aos 23 anos, ele se revelaria um pai frio e distante, com quem ela não conseguiria falar ao telefone, que não respondia suas cartas e chegou a passar quase dois anos sem encontrar tempo para revê-la nem para recebê-la no Palácio da Revolução. No plano material, mostrava-se mesquinho numa escala inimaginável: dava-lhe, de quando em quando, uma mesada próxima da esmola, presentes de camelô e, em seu primeiro casamento, ofereceu a título de 'festa' alguns doces, uma salada de macarrão, e dez garrafas de rum. Não bastasse isso, agia de forma despótica, até ao extremo de um dia ordenar a prisão da própria filha como prostituta por ter se enamorado de um estrangeiro, um italiano, que seria prontamente expulso da ilha e da vida da jovem. Aí se deu a ruptura final de Alina com Fidel. Não é de se estranhar, pois, que Alina recusasse o sobrenome Castro, oferecido depois de anos por Fidel como uma grande concessão, e a certa altura acabasse sofrendo de um grave distúrbio de fundo psicológico, a aneroxia, dificuldade que pode chegar a impossibilidade de comer." (Ricardo Setti)

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