Os Bastidores Dos 40 Anos De Playboy No Brasil 1


                   "Muito do que sou hoje devo à Playboy da década de 1980. Não da revista em si, o produto que qualquer um poderia comprar na banca mais próxima, mas sim de como ela era feita. A máxima que carrego comigo em tudo o que faço, de que: Deus mora nos detalhes, nasceu naquele ambiente: a redação da Playboy.
                   Não foi uma ou duas vezes, que me lembro zanzando pelas baias da redação da Playboy, entre os meus 12 e 17 anos, fascinado por tudo que acontecia ali. E o que me levou até lá não foram as mulheres que estampavam as capas ou um interesse precoce pelo jornalismo. O que me levou lá tinha nome e sobrenome: Mario Escobar de Andrade.
                     O Mario era marido da minha mãe, meu padrasto, pai do meu irmão Fernando e diretor da redação da Playboy. Um gênio na arte de fazer revistas. Um cara que vivia seu ofício 24 horas por dia, sete dias por semana. Um apaixonado pelo que fazia.
                     Foi ele a primeira pessoa que viu em mim algo 'diferente' do que estava 'planejado'. Sou filho de uma urbanista e um advogado, ambos professores universitários, profissionais liberais e com carreiras acadêmicas respeitadas. O 'caminho natural' para o filho do casal seria seguir a prestigiada carreira de advogado do avô e do pai. Só que não, como diriam as hashtags atuais.
                  O Mario sempre enchia a casa com amigos que eu achava muito bacanas. Era a 'confraria de Playboy'. Um  grupo de gente que frequentava a nossa casa para discutir os conteúdos que seriam recheios das próximas edições da revista: Thomaz Souto Corrêa, Juca Kfouri, Walter Clark, Luiz Scwarcz, Ruy Castro, José Victor Oliva e por aí vai... uma tropa de elite em matéria de comportamento.
                   E vira e mexe o 'bico' nessas reuniões era eu. Ficava só ouvindo e amava aquele clima, aquelas ideias, aquelas pessoas. Ali nascia quem sou hoje profissionalmente. A arte de juntar gente competente, de somar em vez de dividir, de transformar tudo em conteúdo. Não demorou muito para o Mario pedir para que eu começasse a escrever para a revista. Aos 14 assinei a minha primeira nota na coluna Insiders. E não parei mais... não de escrever, mas de ter ideias. E de tirá-las do papel. Esse é meu prazer.
                           Obrigado, Mario querido."
                                                                 (Luciano Huck, apresentador da TV Globo)

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