Entrevista: Rocco Siffrendi Se Aposenta

"Trabalho com meu pau e nunca tive problemas com isso. Nunca."

Mas por que pornô?

       Eu já era sexualmente ativo aos 11 anos, e lembro que todos os outros garotos tinham zero experiência com sexo, então eu sabia que havia algo especial. Mas isso não foi o principal. O principal é que eu estava sempre tentado dar algo a minha mãe que a ajudasse com a dor que ela estava passando por causa da morte do meu irmão.
         Também lembro de achar uma revista quando eu tinha 13 com fotos de um cara chamado Supersex, que era um ator pornô famoso nos anos 70. Haviam fotos dele transando com uma morena, aí você virava a página e tinha fotos dele transando com uma loira, você virava a página e ele estava transando com uma ruiva, aí você virava a página e ele estava transando com as três. Eu vi aquilo e disse que queria entrar para aquele negócio. Liguei pro meu irmão mais velho, que morava em Paris, e contei isso para ele. Ele disse: "você é louco". Aos 16, liguei de novo e ele disse "você não desistiu? Você é completamente louco!" Aí liguei de novo aos 20 e ele me disse que se fosse até um clube de swing, eu encontraria alguém do pornô para me ajudar nisso. E funcionou. As pessoas me viram transando na frente de todo mundo e daquele dia em diante, minha vida mudou. Era o paraíso.

Por que você chama seu pênis de "o diabo no meio das minhas pernas"?

           Porque o diabo possui seu corpo. Não é você que o possui. Por muitos anos, usei o sexo para minha conveniência. Quando o sexo começa a te usar, isso significa que você está viciado, e isso é o diabo. É a mesma coisa com drogas e álcool — tudo isso é o diabo. Quando ele está te usando, faz você fazer tudo que ele quer. Ele te faz fazer coisas que você realmente não gosta.

Essa não é a primeira vez que você fala em se aposentar. O que aconteceu aos 40, quando você disse que só trabalharia atrás das câmeras como diretor?

                 Tentei me aposentar pelos meus filhos. Eu queria parar de atuar diante das câmeras na época em que eles eram adolescentes e estavam prontos para começar suas vidas sexuais. Tentei fazer coisas do outro lado das câmeras para não prejudicá-los. Por outro lado, isso foi um erro. Primeiro, prejudiquei a mim mesmo parando. Segundo, comecei a procurar prostitutas duas ou três vezes por dia. Três vezes por dia: prostitutas, prostitutas, prostitutas... porque eu estava acostumado a fazer muito sexo.

Isso afetou seu casamento?

           Claro, mas estou com uma mulher muito inteligente que entende minha situação. Ela me disse que eu precisava voltar a atuar. Se é disso que você sente falta, e está transando com prostitutas para substituir [a atuação], então qual o objetivo de se aposentar?

"Antes, havia muito diálogo, muita comédia e muita estrutura. Hoje é apenas sexo, muito sexo e zero diálogo. Não tem mais romance."
Foi estranho para você pagar por sexo em vez de ser pago para transar? Sim, e às vezes acontecia uma coisa engraçada. 

          As [trabalhadoras sexuais] viam meu pau e diziam "uau, que enorme, por que você não vira ator pornô?" Sério, isso aconteceu várias vezes. E eu respondia "é, vou pensar nisso".

Como é estar sempre falando sobre o tamanho do seu pau?"

          Quantos centímetros tem o seu pau?" é uma pergunta que respondo com frequência, então estou acostumado. Sei que meu trabalho é o meu pênis. Sei que quando trabalho, são duas pessoas trabalhando: eu e o meu pau. Nós dois somos famosos. Na minha cabeça, isso sempre esteve claro. Não estou desapontado. Não me sinto um objeto. Trabalho com meu pau e nunca tive problemas com isso. Nunca.

Como você acha que o pornô mudou durante sua carreira?

        Passei por quatro gerações diferentes, e há uma grande diferença entre a época em que comecei e hoje. Antes você tinha duas cenas por semana, muitos diálogos, filmávamos em 35mm, etc. Levava mais tempo para mudar a posição da câmera, as luzes e tudo mais, então o sexo era curto. Havia muito diálogo, muita comédia e muita estrutura. Hoje é apenas sexo, muito sexo e zero diálogo. Não tem mais romance. São apenas tomadas diferentes do corpo feminino: tomadas dos peitos, tomadas apenas dos pés, tomadas do anal. Ultimamente, a maioria das garotas faz tripla penetração anal, e às vezes você nem toca nela; são só três paus enfiados juntos. Isso é completamente diferente do que costumava ser o pornô.

E isso é melhor ou pior?

          É muito pior. Eu, alguém que transa com uma mulher com o coração, preciso de conexão, preciso usar minhas mãos, preciso do cheio, preciso do poder. Preciso usar tudo isso. Hoje, eles não têm tempo para nada disso. Eles não dão a mínima. Eles só precisam dos corpos. Corpos, corpos, corpos. Gente nova. Paus novos. Não gosto de sexo sem conexão. Não temos mais dinheiro para fazer [narrativas longas] como antigamente. A indústria mudou porque a internet fodeu tudo. Ninguém tem dinheiro para fazer grandes filmes com enredo.
              Gosto da internet porque isso ainda dá a pessoas que não tem dinheiro, que vivem em países onde as garotas são invisíveis, a oportunidade de sonhar em ver uma garota bonita fazendo coisas incríveis. Por outro lado, infelizmente, isso destruiu completamente a indústria. Tem sexo grátis por todo lado, então por que pagar?

"A indústria mudou porque a internet fodeu tudo."
Você conseguiu fazer Kelly Stafford sair da aposentadoria para seu último filme. Por que isso era importante?

               Kelly é a maior atriz pornô para mim. Ela é A atriz pornô. De certa maneira, ela é como seu eu fosse mulher.

Ela é mais poderosa que você por ser é mulher?

                   Cem por cento. Sem dúvida. Ela é muito poderosa. Sinto atração por pessoas que são especiais. Pessoas especiais sempre me atraíram. Quando alguém diz "essa pessoa é louca", quer dizer que ela deve ser inacreditável. Não gosto de gente normal. Eles sempre me entediam.

Você acha que algum dia vai realmente se aposentar?

                    Foi o que eu disse depois desse filme, nunca mais vou responder essa pergunta. Quer dizer, nunca vou dizer que vou me aposentar ou que vou voltar. No momento estou fora, mas não posso dizer que não vou voltar.

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